Tocofobia: como surge o medo excessivo de engravidar?

Por 25 de fevereiro de 2022 Atualidade

Já teve uma crise de ansiedade ou sentiu verdadeira repulsa só de se imaginar em uma gestação? Isso pode ser tocofobia, termo utilizado para descrever o medo patológico de engravidar e/ou de realizar um parto. Esse medo interfere diretamente no estado psicológico, biológico e até social de quem o possui, e pode surgir a partir de experiências traumáticas vivenciadas pela própria pessoa ou por alguém próximo.

“Apesar de o parto [e a gravidez] ser um processo inteiramente biológico, para muitas mulheres ele está associado a dor, sofrimento e a uma ampla gama de medos”, explica Giuliana Carvalho, psicóloga clínica da Telavita.

A tocofobia pode se manifestar em momentos diferentes da vida e, por isso, é dividida em dois tipos: a primária, que se desenvolve antes de engravidar, geralmente ainda na adolescência; e a secundária, que costuma acontecer depois de alguma experiência relacionada a gravidez – como aborto espontâneo, parto prematuro ou violência obstétrica.

Baixa autoestima, abuso sexual, predisposição a transtornos de ansiedade, rede de apoio precária e relatos de partos mal sucedidos de familiares ou conhecidos também podem motivar o surgimento desta fobia.

Segundo a psicóloga Vanessa Gebrim, até mesmo alguma experiência intrauterina – quando a pessoa ainda estava no útero da mãe – pode ser um fator desencadeador.

Tocofobia: principais sintomas

Para identificar a tocofobia é preciso ficar atenta aos sinais, como:

  • Medo de engravidar
  • Descontrole emocional ao falar do assunto
  • Oscilação de humor
  • Crises de ansiedade
  • Insônia
  • Apetite reduzido
  • Pesadelos com gravidez
  • Depressão
  • Depressão pós-parto e antes do parto.

Essa fobia, além de prejudicar a saúde, afeta diretamente as relações interpessoais. O pavor de engravidar pode ser tão grande ao ponto da pessoa se privar de ter uma vida íntima ativa, se afastando de possíveis relações afetivas e sexuais.

“Pessoas com essa fobia, sem tratamento psicoterápico adequado, podem desenvolver repulsa por relacionamentos, sejam eles afetivos ou sexuais. Muitas das vezes, a pessoa cria uma neurose e utiliza simultaneamente vários tipos de preservativo”, alerta a sexóloga Karina Brum.

Ainda que a tocofobia esteja intimamente ligada ao útero e o universo feminino, ela também pode atingir os homens, com incidência bem menor, os mesmo sintomas e motivada por medo e insegurança.

Em ambos os casos, o tratamento é feito com psicoterapia, a fim de entender o gatilho para o medo e tratá-lo. Dependendo do caso, também será necessária ajuda psiquiátrica. “Caso a paciente esteja grávida, o tratamento é realizado em conjunto com o obstetra e o ginecologista que a acompanham”, completa a psicóloga Vanessa Gebrim.

Tocofobia X Não querer ter filhos

A principal diferença entre tocofobia e não querer ter filhos é a possibilidade de escolha. Quem tem tocofobia pode, sim, ter vontade de ser mãe, mas são barradas pelo medo. “Algumas têm o desejo, mas tem muito medo, por crenças como: não vou dar conta, vou educar errado, ou vou repetir comportamentos inadequados de meus pais”, explica Gebrim.

Não querer ter filhos não é um problema. Está tudo bem não se identificar com a maternidade ou preferir priorizar outros sonhos e áreas da vida. O problema está, na verdade, na pressão social e psicológica de que “toda mulher nasceu para ser mãe”. Essa “obrigação” pode, inclusive, provocar e/ou potencializar os sintomas da tocofobia.

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