{"id":18767,"date":"2022-09-19T08:20:46","date_gmt":"2022-09-19T11:20:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/?p=18767"},"modified":"2022-09-19T08:20:46","modified_gmt":"2022-09-19T11:20:46","slug":"alzheimer-por-que-o-brasil-deve-se-preocupar-mais-com-a-doenca-do-que-a-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/alzheimer-por-que-o-brasil-deve-se-preocupar-mais-com-a-doenca-do-que-a-europa\/","title":{"rendered":"Alzheimer: Por que o Brasil deve se preocupar mais com a doen\u00e7a do que a Europa?"},"content":{"rendered":"<div id=\"social-media-upper\" class=\"social-media-upper\">\n<div class=\"news-authors hide-on-mobile\">\n<div class=\"authors-info\"><span class=\"authors-names\">Por Julia Marques<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"subheadline-feature-block\">\n<h2>Alta da doen\u00e7a deve ser maior em pa\u00edses de m\u00e9dia e baixa renda; no Brasil, estimativa \u00e9 de que casos quase tripliquem at\u00e9 2050<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"social-media-floating hide-floating\">\n<div class=\"icon-holder\">\n<p>As proje\u00e7\u00f5es para o avan\u00e7o da\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/alzheimer\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>doen\u00e7a de Alzheimer<\/strong><\/a>\u00a0colocam o Brasil em um situa\u00e7\u00e3o desafiadora: o n\u00famero de casos de dem\u00eancia pode aumentar muito nas pr\u00f3ximas tr\u00eas d\u00e9cadas. E n\u00e3o s\u00f3 aqui. A alta da doen\u00e7a deve ser maior em pa\u00edses de m\u00e9dia e baixa renda, como os demais da\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/america-latina\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong><\/a>, na compara\u00e7\u00e3o com as na\u00e7\u00f5es mais ricas.<\/p>\n<p>Essa tend\u00eancia acende o alerta para a necessidade de que o Brasil prepare seu\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/saude-publica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>sistema de sa\u00fade<\/strong><\/a>\u00a0para atender ao grande contingente de pessoas que precisar\u00e1 de ajuda m\u00e9dica \u2013 e seus familiares, que assumem o cuidado. Tamb\u00e9m ressalta a import\u00e2ncia de estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o para reduzir o volume de pessoas com dem\u00eancia.<\/p>\n<p>O Alzheimer \u00e9 uma doen\u00e7a neurodegenerativa e progressiva. Pessoas diagnosticadas com Alzheimer ou outras dem\u00eancias passam a ter dificuldades para realizar tarefas cotidianas e deixam de trabalhar. Com custo global de US$ 1,3 trilh\u00e3o, as dem\u00eancias s\u00e3o hoje uma das principais causas de incapacidade e depend\u00eancia em todo o mundo.<\/p>\n<p>No Brasil, ainda n\u00e3o h\u00e1 clareza sobre o total de pessoas com a doen\u00e7a, mas estima-se que cerca de 2 milh\u00f5es vivam com dem\u00eancias \u2013 o Alzheimer corresponde \u00e0 maior parcela. Para 2050, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de que esse n\u00famero chegue a cerca de 6 milh\u00f5es de pessoas \u2013 um aumento de 200%.<\/p>\n<figure class=\"figure-image-wrapper -graphic\">\n<div class=\"figure-image-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/AL2AWX64KJDUBCPDLYTHDK4SSU.png\" \/><\/div>\n<\/figure>\n<p>O envelhecimento acelerado da popula\u00e7\u00e3o brasileira amplia os desafios. Em pa\u00edses europeus, como na Fran\u00e7a, foram cem anos para que a taxa de idosos dobrasse. \u201cNo Brasil, est\u00e1 levando s\u00f3 algumas d\u00e9cadas\u201d, explica Cleusa Ferri, professora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). \u201cPor isso, a import\u00e2ncia de ter a\u00e7\u00f5es muito r\u00e1pidas para cuidar das pessoas nessa faixa da vida.\u201d<\/p>\n<p>Em todo o mundo, a previs\u00e3o \u00e9 de que os casos de dem\u00eancia passem de 57,4 milh\u00f5es para 152,8 milh\u00f5es \u2013 uma alta de 166% \u2013 em 2050. A tend\u00eancia de crescimento \u00e9 menor do que a m\u00e9dia global em pa\u00edses como Alemanha, It\u00e1lia e Jap\u00e3o. E maior em outros, como Brasil, Bol\u00edvia, Equador, Peru e pa\u00edses africanos. Os dados fazem parte de uma pesquisa global publicada neste ano na revista\u00a0<em>Lancet Public Health<\/em>.<\/p>\n<p>O aumento e o envelhecimento populacionais s\u00e3o as principais raz\u00f5es para a proje\u00e7\u00e3o de crescimento maior do Alzheimer em pa\u00edses da \u00c1frica e da Am\u00e9rica Latina. Problemas de baixa escolaridade e h\u00e1bitos de vida pouco saud\u00e1veis tamb\u00e9m concorrem para que a incid\u00eancia de pessoas com dem\u00eancia n\u00e3o caia nessas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Em pa\u00edses da Am\u00e9rica do Norte e da Europa, por exemplo, os dados j\u00e1 sugerem uma tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o na incid\u00eancia de dem\u00eancia \u2013 o que cientistas atribuem ao aumento nos n\u00edveis de escolaridade e \u00e0 maior oferta de tratamentos para problemas cardiovasculares, uma das principais formas de se prevenir contra o Alzheimer.<\/p>\n<p>Pa\u00edses de alta renda j\u00e1 t\u00eam servi\u00e7os de cuidados para pessoas com dem\u00eancia, como aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e reabilita\u00e7\u00e3o, mais estruturados, segundo um relat\u00f3rio da\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/oms-organizacao-mundial-de-saude\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/strong><\/a>\u00a0(OMS), do ano passado. J\u00e1 as na\u00e7\u00f5es de baixa e m\u00e9dia renda, como o Brasil, s\u00e3o mais dependentes dos cuidados informais desempenhados pelos familiares, que muitas vezes t\u00eam de deixar suas atividades profissionais, com impactos \u00e0 economia.<\/p>\n<figure class=\"figure-image-wrapper \">\n<div class=\"figure-image-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/7ie_0veOmCF4SUYMSX4uxLAlvBs=\/936x0\/filters:format(jpg):quality(80):focal(-5x-5:5x5)\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/X3LLME3WRFMG3KKXZ5ALRX2CAU.jpg\" alt=\"Envelhecimento acelerado da popula\u00e7\u00e3o brasileira amplia os desafios; Em pa\u00edses europeus, foram cem anos para que a taxa de idosos dobrasse, no Brasil, est\u00e1 levando 's\u00f3 algumas d\u00e9cadas', avalia especialista\" \/><\/div><figcaption>Envelhecimento acelerado da popula\u00e7\u00e3o brasileira amplia os desafios; Em pa\u00edses europeus, foram cem anos para que a taxa de idosos dobrasse, no Brasil, est\u00e1 levando &#8216;s\u00f3 algumas d\u00e9cadas&#8217;, avalia especialista\u00a0Foto:\u00a0Thomas Peter\/REUTERS<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"intertitle-wrapper\">\n<div class=\"line-top\"><\/div>\n<h3>In\u00edcio precoce<\/h3>\n<\/div>\n<p>Em pa\u00edses latino-americanos, a presen\u00e7a associada de dem\u00eancias vasculares e Alzheimer preocupa. \u201cA preval\u00eancia de dem\u00eancia na Am\u00e9rica Latina \u00e9 a maior do mundo. E n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 muita gente (com dem\u00eancia), mas ela come\u00e7a dez anos antes aqui\u201d, alerta Claudia Suemoto, professora de Geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Entre outros temas, Claudia pesquisa de que modo reduzir os fatores de risco na popula\u00e7\u00e3o brasileira, como controlar doen\u00e7as como hipertens\u00e3o, obesidade e diabete, pode ajudar a evitar casos de Alzheimer e outras doen\u00e7as. Uma pesquisa nesse sentido, publicada h\u00e1 dois anos na\u00a0<em>Lancet<\/em>, mostrou que 12 fatores de risco est\u00e3o ligados a 40% dos casos de dem\u00eancia, incluindo o Alzheimer, em todo o mundo. No Brasil, a estimativa \u00e9 de que o potencial de preven\u00e7\u00e3o seja ainda maior.<\/p>\n<p>Um dos focos, segundo os cientistas, deve ser a escolariza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Claudia explica que estudar no in\u00edcio da vida ajuda a formar o que se chama de \u201creserva cognitiva\u201d. \u00c9 como se fosse uma poupan\u00e7a no c\u00e9rebro \u2013 quanto maior, menor o risco de que os danos ligados ao envelhecimento comprometam as fun\u00e7\u00f5es cerebrais.<\/p>\n<p>\u201dH\u00e1 uma janela de oportunidade incr\u00edvel para prevenir n\u00e3o s\u00f3 dem\u00eancia como outras doen\u00e7as mentais\u201d, diz a pesquisadora. Al\u00e9m da educa\u00e7\u00e3o formal, explica a especialista, atividades intelectuais como aprender um novo idioma ou a tocar instrumentos ajudam a formar essa \u201cpoupan\u00e7a\u201d de conex\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"intertitle-wrapper\">\n<h3>Pol\u00edtica<\/h3>\n<\/div>\n<p>Apesar do cen\u00e1rio preocupante para as dem\u00eancias no Brasil, ainda faltam pol\u00edticas espec\u00edficas sobre o tema, na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas. O Brasil se comprometeu a elaborar um plano sobre o assunto, que ainda n\u00e3o existe. Um projeto de lei que cria a Pol\u00edtica Nacional de Enfrentamento \u00e0 Doen\u00e7a de Alzheimer est\u00e1 em debate no Congresso Nacional. Alguns munic\u00edpios, como S\u00e3o Paulo, j\u00e1 t\u00eam planos locais.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 pa\u00edses em que isso j\u00e1 est\u00e1 mais avan\u00e7ado, como Costa Rica, Chile. No Brasil e em v\u00e1rios outros pa\u00edses, isso est\u00e1 no radar, mas n\u00e3o foram tomadas medidas efetivas\u201d, diz Paulo Caramelli, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e membro do conselho consultivo da Sociedade Internacional para o Avan\u00e7o da Pesquisa e Tratamento da Doen\u00e7a de Alzheimer.<\/p>\n<div class=\"intertitle-wrapper\">\n<h3>Falta de dados<\/h3>\n<\/div>\n<p>Um dos pontos de partida para isso \u00e9 reconhecer a complexidade da situa\u00e7\u00e3o brasileira: ainda n\u00e3o se sabe a exata incid\u00eancia da doen\u00e7a nem a mortalidade. H\u00e1 ainda alta subnotifica\u00e7\u00e3o: pesquisadores estimam que mais de 1 milh\u00e3o (dos 2 milh\u00f5es de casos) n\u00e3o tenham sido diagnosticados. Essa situa\u00e7\u00e3o coloca pacientes e parentes em um limbo de prote\u00e7\u00e3o e cuidados.<\/p>\n<p>Para Cleusa, \u00e9 preciso educar a popula\u00e7\u00e3o brasileira para o Alzheimer. A falta de conhecimento sobre dem\u00eancias faz com que, muitas vezes, as perdas de mem\u00f3ria sejam vistas como um sinal normal de envelhecimento \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 verdade. A pesquisadora coordena o primeiro mapeamento do Brasil sobre Alzheimer, financiado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, e que deve ser publicado no ano que vem. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio apoiar a fam\u00edlia e oferecer servi\u00e7os de cuidado a curto e longo prazo.\u201d<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/ministerio-da-saude\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/strong><\/a>\u00a0aponta que as dem\u00eancias devem ser entendidas \u201ccomo uma prioridade em sa\u00fade p\u00fablica\u201d e destaca iniciativas como um curso para os cuidadores e a elabora\u00e7\u00e3o de guias com orienta\u00e7\u00f5es para rastreio de dem\u00eancias e transtornos cognitivos leves.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"icon-holder\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"styles__Container-sc-1v8tg5g-0 gRibif\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Julia Marques Alta da doen\u00e7a deve ser maior em pa\u00edses de m\u00e9dia e baixa renda; no Brasil, estimativa \u00e9 de que casos quase tripliquem at\u00e9 2050 As proje\u00e7\u00f5es para&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18768,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":{"0":"post-18767","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-atualidade"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18767"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18767\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18769,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18767\/revisions\/18769"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18768"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}