{"id":18804,"date":"2022-09-27T07:23:06","date_gmt":"2022-09-27T10:23:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/?p=18804"},"modified":"2022-09-27T07:23:06","modified_gmt":"2022-09-27T10:23:06","slug":"terapia-contra-cancer-mostra-potencial-para-tratar-casos-graves-de-covid-19-em-testes-pre-clinicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/terapia-contra-cancer-mostra-potencial-para-tratar-casos-graves-de-covid-19-em-testes-pre-clinicos\/","title":{"rendered":"Terapia contra c\u00e2ncer mostra potencial para tratar casos graves de covid-19 em testes pr\u00e9-cl\u00ednicos"},"content":{"rendered":"<div id=\"social-media-upper\" class=\"social-media-upper\">\n<div class=\"news-authors hide-on-mobile\">\n<div class=\"authors-info\"><span class=\"authors-names\">Por Andr\u00e9 Juli\u00e3o &#8211; Ag\u00eancia FAPESP<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"subheadline-feature-block\">\n<h2>Tratamento promissor \u00e9 conhecido como \u201cinibidor de checkpoint imunol\u00f3gico\u201d, mas cientistas pedem cautela ap\u00f3s resultados preliminares em camundongos<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"styles__Container-sc-1v8tg5g-0 EBUrg\">\n<div class=\"content-wrapper news-body content already-sliced already-checked\" data-paywall-wrapper=\"true\">\n<p>Estudo publicado na revista\u00a0<em>Science Advances<\/em>\u00a0sugere que um tipo de tratamento conhecido como inibidor de\u00a0<em>checkpoint<\/em>\u00a0imunol\u00f3gico \u2013 j\u00e1 usado contra certos tipos de\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/cancer\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>c\u00e2ncer\u00a0<\/strong><\/a>\u2013 pode ser ben\u00e9fico em alguns casos graves de\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/coronavirus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>covid-19<\/strong><\/a>. Os criadores desse tipo de terapia, que tem a capacidade de reativar o sistema imune, ganharam o Pr\u00eamio Nobel de Medicina em 2018.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es do artigo se baseiam em experimentos feitos com c\u00e9lulas de pacientes que precisaram ser internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ap\u00f3s contrair o SARS-CoV-2, al\u00e9m de camundongos infectados por outro betacoronav\u00edrus, o MHV-A59 (v\u00edrus da hepatite murina A59).<\/p>\n<figure class=\"figure-image-wrapper \">\n<div class=\"figure-image-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/tgdxOCdJCIY6Vxsby0LW7bBEbbw=\/936x0\/filters:format(jpg):quality(80):focal(-5x-5:5x5)\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/7TPW5SORWZOUDESMXCKNFPNIV4.jpg\" alt=\"Imagem de microsc\u00f3pio mostra v\u00edrus SARS-CoV-2, da Covid-19 (Reuters)\" \/><\/div><figcaption>Imagem de microsc\u00f3pio mostra v\u00edrus SARS-CoV-2, da Covid-19 (Reuters)\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cUm dos\u00a0<em>checkpoints<\/em>\u00a0imunol\u00f3gicos conhecidos e com o qual trabalhamos no estudo \u00e9 o PD-1. Ele indica para os linf\u00f3citos T [um tipo de leuc\u00f3cito] que devem parar de responder \u00e0 infec\u00e7\u00e3o depois de um tempo, para que n\u00e3o haja uma resposta exacerbada. Num contexto de c\u00e2ncer, sepse ou covid-19 grave, por\u00e9m, o PD-1 faz com que os linf\u00f3citos T parem de funcionar antes mesmo de resolvida a doen\u00e7a. Por isso, \u00e9 preciso bloque\u00e1-lo\u201d, explica Pedro Moraes-Vieira, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) apoiado pela Fapesp e um dos coordenadores do estudo.<\/p>\n<p>O trabalho tem como um dos autores Gustavo Gast\u00e3o Davanzo, doutorando no IB-Unicamp e bolsista da Fapesp.<\/p>\n<p>\u201cAinda que estes sejam tratamentos de custo muito elevado, o fato de n\u00e3o haver mais tantos pacientes graves como no come\u00e7o da pandemia nos faz acreditar que esta seria uma das op\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis, caso novos estudos mostrem que a terapia \u00e9 segura em pacientes com covid-19\u2033, afirma Moraes-Vieira.<\/p>\n<div class=\"intertitle-wrapper\">\n<h3>Coronav\u00edrus de camundongo<\/h3>\n<\/div>\n<p>A hip\u00f3tese do estudo surgiu quando pesquisadores uruguaios \u2013 coautores do artigo \u2013 observaram que camundongos que n\u00e3o expressavam a prote\u00edna TMEM176D tinham respostas mais agudas \u00e0 infec\u00e7\u00e3o pelo MHV-A59. Essa prote\u00edna tem como fun\u00e7\u00e3o regular o chamado inflamassoma, complexo proteico existente dentro das c\u00e9lulas de defesa que controla a inflama\u00e7\u00e3o em um organismo com o objetivo de destruir amea\u00e7as como tumores, v\u00edrus e bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Sem a prote\u00edna TMEM176D, o inflamassoma fica ainda mais ativado, com maior libera\u00e7\u00e3o de citocinas inflamat\u00f3rias, como a interleucina-1 beta (IL-1\u03b2), cujo papel \u00e9 conhecido na covid-19 grave.<\/p>\n<p>\u201cEssa libera\u00e7\u00e3o excessiva de IL-1\u03b2 leva a uma disfun\u00e7\u00e3o dos linf\u00f3citos T, o que chamamos de exaust\u00e3o dessas c\u00e9lulas de defesa. Elas ficam t\u00e3o ativadas que n\u00e3o conseguem mais responder adequadamente. \u00c9 algo bem comum em doen\u00e7as virais cr\u00f4nicas, como a covid-19 grave, algo que j\u00e1 t\u00ednhamos observado em um trabalho ainda no come\u00e7o da pandemia\u201d, conta Moraes-Vieira.<\/p>\n<p>O trabalho a que o pesquisador se refere foi publicado em 2020 na\u00a0<em>Cell Metabolism<\/em>\u00a0e ainda hoje est\u00e1 entre os artigos mais citados da revista nos \u00faltimos tr\u00eas anos, tendo motivado o contato da equipe uruguaia para propor a parceria.<\/p>\n<p>Nos testes com camundongos, o tratamento com inibidor de PD-1 conseguiu restaurar a fun\u00e7\u00e3o dos linf\u00f3citos T. Al\u00e9m disso, os pesquisadores tiveram acesso a sangue de doadores saud\u00e1veis e de pacientes com covid-19 internados em duas institui\u00e7\u00f5es de Montevid\u00e9u, no Uruguai.<\/p>\n<p>Experimentos com c\u00e9lulas saud\u00e1veis, posteriormente infectadas com o SARS-CoV-2, foram realizados no Laborat\u00f3rio de Estudos de V\u00edrus Emergentes (LEVE) sob coordena\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Luiz Proen\u00e7a M\u00f3dena, professor do IB-Unicamp apoiado pela FAPESP e coautor do artigo.<\/p>\n<p>Nos testes com amostras de pacientes, apenas as c\u00e9lulas que vieram de internados em UTI tiveram benef\u00edcio com a administra\u00e7\u00e3o do atezolizumab, droga inibidora do PD-1 usada no estudo. Isso ocorre justamente porque s\u00e3o esses pacientes que t\u00eam ativa\u00e7\u00e3o exacerbada do inflamassoma, o que leva a esse perfil de exaust\u00e3o e disfun\u00e7\u00e3o da imunidade adaptativa.<\/p>\n<p>Os pesquisadores alertam que os resultados ainda precisam ser vistos com cautela. Estudos com pacientes de c\u00e2ncer que j\u00e1 faziam uso da terapia antes de contra\u00edrem a covid-19 n\u00e3o mostraram benef\u00edcio ou mesmo resultaram em uma associa\u00e7\u00e3o negativa.<\/p>\n<p>Em um deles, a administra\u00e7\u00e3o da terapia antes da infec\u00e7\u00e3o viral n\u00e3o levou \u00e0 melhora no quadro. Em outro trabalho, que acompanhou 423 pacientes, houve mais casos de hospitaliza\u00e7\u00e3o e severidade da doen\u00e7a entre aqueles que haviam recebido o inibidor. Por outro lado, um estudo cl\u00ednico com inibidores de PD-1 em pacientes com sepse mostrou que a terapia \u00e9 segura. Novos estudos, portanto, ser\u00e3o necess\u00e1rios para conhecer melhor os efeitos do tratamento no contexto da doen\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-wrapper  \">\n<div id=\"social-media-lower\" class=\"social-media-lower bottom-wrapper\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Andr\u00e9 Juli\u00e3o &#8211; Ag\u00eancia FAPESP Tratamento promissor \u00e9 conhecido como \u201cinibidor de checkpoint imunol\u00f3gico\u201d, mas cientistas pedem cautela ap\u00f3s resultados preliminares em camundongos Estudo publicado na revista\u00a0Science Advances\u00a0sugere que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18805,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":{"0":"post-18804","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-atualidade"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18804","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18804"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18804\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18806,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18804\/revisions\/18806"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18805"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18804"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18804"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18804"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}