{"id":18913,"date":"2022-10-18T08:11:22","date_gmt":"2022-10-18T10:11:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/?p=18913"},"modified":"2022-10-18T08:11:22","modified_gmt":"2022-10-18T10:11:22","slug":"cancer-de-mama-mamografias-realizadas-durante-e-apos-a-pandemia-caem-e-casos-ficam-mais-graves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/cancer-de-mama-mamografias-realizadas-durante-e-apos-a-pandemia-caem-e-casos-ficam-mais-graves\/","title":{"rendered":"C\u00e2ncer de mama: mamografias realizadas durante e ap\u00f3s a pandemia caem e casos ficam mais graves"},"content":{"rendered":"<div id=\"social-media-upper\" class=\"social-media-upper\">\n<div class=\"news-authors hide-on-mobile\">\n<div class=\"authors-info\"><span class=\"authors-names\">Por\u00a0Jo\u00e3o Ker<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"subheadline-feature-block\">\n<h2>Na faixa et\u00e1ria de 50 a 69 anos, principal recomenda\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, apenas 17% fizeram o exame de rastreio em 2021<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"styles__Container-sc-1v8tg5g-0 gRibif\">\n<div class=\"content-wrapper news-body content already-sliced already-checked\" data-paywall-wrapper=\"true\">\n<p>Apenas 17% das mulheres entre 50 e 69 anos fizeram o exame preventivo do\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/cancer-de-mama\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>c\u00e2ncer de mama<\/strong><\/a>\u00a0ao longo de 2021, segundo a pesquisa Panorama do C\u00e2ncer de Mama no SUS. Ao todo, apenas 2,05 milh\u00f5es de mulheres nesta faixa et\u00e1ria realizaram a mamografia pelo sistema p\u00fablico de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O total supera o observado no ano anterior, quando apenas 1,4 milh\u00e3o de mulheres dos 50 aos 69 anos fizeram a mamografia de rastreamento em meio \u00e0s restri\u00e7\u00f5es do coronav\u00edrus e ao sufocamento do SUS pela pandemia. Ainda assim, a cobertura de 2021 est\u00e1 abaixo dos 23% registrados em 2019.<\/p>\n<p>O levantamento foi realizado pelo\u00a0<strong>Instituto Avon\u00a0<\/strong>e pelo\u00a0<strong>Observat\u00f3rio de Oncologia<\/strong>, com base nas informa\u00e7\u00f5es do DataSUS de 2015 a 2021 e foco nas mulheres de 50 a 69 anos por recomenda\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que prioriza a faixa et\u00e1ria no rastreamento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Os dados apontam para uma queda de 40% dos exames realizados entre 2019 e 2020 e de 18% no ano seguinte. \u201cIsso ainda \u00e9 um reflexo da pandemia. Apesar de os servi\u00e7os e remarca\u00e7\u00f5es terem retomado em 2021, ainda temos uma sobrecarga de demanda das pessoas que deixaram de fazer esse tipo de exame, al\u00e9m da quest\u00e3o do medo (de se infectar com a covid)\u201d, explica Nina Melo, coordenadora do Observat\u00f3rio de Oncologia.<\/p>\n<p>As regi\u00f5es do Brasil que tiveram menor cobertura de mamografias entre mulheres de 50 a 69 anos foram o Norte e o Centro-Oeste. Entre 2020 e 2021, apenas 9% das pacientes nesta faixa et\u00e1ria realizaram o exame de rastreio, uma taxa bem aqu\u00e9m da m\u00e9dia nacional. J\u00e1 o Estado de S\u00e3o Paulo teve o maior n\u00famero de procedimentos do tipo aprovados, correspondendo a 31% do total do Pa\u00eds.<\/p>\n<div class=\"uva-container \">\n<figure class=\"figure-image-wrapper -graphic\">\n<div class=\"figure-image-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/4RXLF33MJZABLG4TLKDYSHQT6M.png\" \/><\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<p>Ainda em 2020, dados da Ag\u00eancia Internacional de Pesquisa em C\u00e2ncer (IARC, na sigla em ingl\u00eas), bra\u00e7o da\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/oms\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/strong><\/a>\u00a0(<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/oms\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>OMS<\/strong><\/a>), apontou que o c\u00e2ncer de mama j\u00e1 \u00e9 o tipo mais diagnosticado da doen\u00e7a. Ele corresponde a 24,5% de todos os diagn\u00f3sticos positivos feitos no mundo e a 6,9% das mortes durante aquele ano.<\/p>\n<p>Apesar de ainda n\u00e3o ter dados concretos sobre este ano, Nina acredita que o cen\u00e1rio dos exames de rastreamento j\u00e1 apresenta sinais de estabiliza\u00e7\u00e3o nos par\u00e2metros pr\u00e9-pand\u00eamicos. \u201cPelos contatos com m\u00e9dicos e oncologistas, eles j\u00e1 v\u00eam nos dizendo isso. A pr\u00f3pria comunica\u00e7\u00e3o do rastreamento e o ciclo completo da vacina\u00e7\u00e3o (contra a covid) ajudaram nessa retomada\u201d, comenta.<\/p>\n<div class=\"intertitle-wrapper\">\n<h3>Tempo de espera e casos mais graves<\/h3>\n<\/div>\n<p>Outro dado apontado pela pesquisa diz que mais de 60% de todas as mulheres diagnosticadas com c\u00e2ncer de mama no Pa\u00eds entre 2015 e 2021 come\u00e7aram o tratamento depois do recomendado. Segundo a\u00a0<strong>lei 12.732\/12<\/strong>, o prazo m\u00e1ximo de espera no sistema p\u00fablico de sa\u00fade deve ser de 60 dias ap\u00f3s a identifica\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Em 2020, o tempo m\u00e9dio desse intervalo chegou a 174 dias.<\/p>\n<p>\u201cNo caso de c\u00e2ncer, um dia pode fazer a diferen\u00e7a\u201d, aponta Nina. \u201cSe existe uma legisla\u00e7\u00e3o embasada cientificamente, \u00e9 porque aquele tempo \u00e9 o mais adequado. Se a gente ultrapassa isso mais que o dobro, as chances de cura dessa paciente diminuem bastante.\u201d<\/p>\n<p>Membro do Comit\u00ea Cient\u00edfico do\u00a0<strong>Instituto Vencer O C\u00e2ncer\u00a0<\/strong>e oncologista do\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/hospital-albert-einstein\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Hospital Albert Einstein<\/strong><\/a>, Abra\u00e3o Dornellas classifica essa demora entre diagn\u00f3stico e tratamento como \u201cinadmiss\u00edvel\u201d. \u201c\u00c9 preciso entender que n\u00e3o adianta fazer diagn\u00f3stico precoce se n\u00e3o estabelecer um tratamento precoce. \u00c9 completamente inadmiss\u00edvel que uma mulher diagnosticada espere tanto tempo assim.\u201d<\/p>\n<p>Esse aumento da demora na busca pelo diagn\u00f3stico tamb\u00e9m cresceu, de acordo com a pesquisa. No ano passado, apenas 55% dos casos foram identificados de forma precoce, contra 61% em 2015. J\u00e1 os quadros de confirma\u00e7\u00e3o tardia seguiram a tend\u00eancia inversa e subiram de 39% para 45% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>\u201cDepois desse d\u00e9ficit de exames da pandemia, percebemos que muitas pacientes j\u00e1 chegam com les\u00f5es palp\u00e1veis. Tamb\u00e9m percebemos que ap\u00f3s a demanda represada da pandemia, houve um aumento na procura de pacientes, mas muitas em est\u00e1gio mais avan\u00e7ado da doen\u00e7a\u201d, afirma a oncologista Caroline Rocha, do departamento de C\u00e2ncer de Mama do\u00a0<strong>Hospital A. C. Camargo Cancer Center<\/strong>.<\/p>\n<p>Foi o caso da analista de sistemas aposentada\u00a0<strong>Maria Macedo<\/strong>, de 67 anos. Ao longo de toda a pandemia, ela teve medo de sair de casa e ir ao hospital por causa do coronav\u00edrus. Quando contraiu a doen\u00e7a em janeiro deste ano e voltou a fazer exames de praxe, descobriu que estava com c\u00e2ncer de mama em est\u00e1gio avan\u00e7ado.<\/p>\n<figure class=\"figure-image-wrapper \">\n<div class=\"figure-image-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/S4-AVVwPzbdWp7qERU5t8QXMWFQ=\/936x0\/filters:format(jpg):quality(80)\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/QZ35IJ2IZRHTPO2LUHZR747YFE.jpeg\" alt=\"Maria Macedo, de 67 anos, descobriu que estava com c\u00e2ncer de mama depois de anos sem fazer mamografia por causa da pandemia\" \/><\/div><figcaption>Maria Macedo, de 67 anos, descobriu que estava com c\u00e2ncer de mama depois de anos sem fazer mamografia por causa da pandemia\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n<p>Dona Maria j\u00e1 sabia que tinha um caro\u00e7o desde 2019, \u201cmas era s\u00f3 uma calcifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinha problema\u201d. \u201cS\u00f3 que ele come\u00e7ou a crescer bastante, suspeitei e fui correr atr\u00e1s\u201d, conta. Desde maio, ela j\u00e1 fez quatro sess\u00f5es de quimioterapia e ainda segue em tratamento, enquanto espera o caro\u00e7o diminuir para retir\u00e1-lo com cirurgia.<\/p>\n<p>\u201cO tratamento \u00e9 muito agressivo, pensei que n\u00e3o ia aguentar. Senti n\u00e1usea, tontura, \u00e2nsia de v\u00f4mito, tive feridas no corpo, vi meu cabelo e as sobrancelhas ca\u00edrem e meu sistema nervoso ficou muito abalado tamb\u00e9m\u201d, relata. \u201c\u00c9 um tratamento inimagin\u00e1vel. Nunca pensei que iria passar por isso agora porque amamentei durante anos e sempre cuidei muito da sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m da chance de o c\u00e2ncer se espalhar da mama para o corpo ou aumentar de tamanho, o diagn\u00f3stico tardio da doen\u00e7a tamb\u00e9m impacta o tratamento das pacientes, principalmente na faixa et\u00e1ria de Maria, dos 50 aos 69 anos. \u201cA popula\u00e7\u00e3o que \u00e9 rastreada faz tratamentos menos agressivos\u201d, aponta Caroline. \u201cEssa demora no diagn\u00f3stico impacta desde o tamanho da cirurgia, que poderia ser um tratamento conservador e ent\u00e3o evolui para algo mais radical, como a\u00a0<strong>mastectomia<\/strong>. O mesmo acontece com a toxicidade do tratamento quimioter\u00e1pico.\u201d<\/p>\n<p>Para Dornellas, o crescimento de casos avan\u00e7ados do c\u00e2ncer de mama j\u00e1 \u00e9 observado com as pacientes deste ano e pode, inclusive, aumentar nos pr\u00f3ximos. \u201c\u00c9 uma tend\u00eancia l\u00f3gica. Por isso, \u00e9 fundamental que a cobertura seja ampliada. O c\u00e2ncer de mama n\u00e3o vai deixar de acontecer porque o exame n\u00e3o foi feito.\u201d<\/p>\n<p>Procurado, o\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/ministerio-da-saude\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/strong><\/a>\u00a0n\u00e3o informou se tem planos de diminuir o tempo de espera das pacientes diagnosticadas com c\u00e2ncer de mama ou se h\u00e1 alguma a\u00e7\u00e3o para ampliar a cobertura da mamografia no Pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-wrapper  \">\n<div id=\"social-media-lower\" class=\"social-media-lower bottom-wrapper\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Jo\u00e3o Ker Na faixa et\u00e1ria de 50 a 69 anos, principal recomenda\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, apenas 17% fizeram o exame de rastreio em 2021 Apenas 17% das mulheres entre&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":18914,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":{"0":"post-18913","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-atualidade"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18913","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18913"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18913\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18915,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18913\/revisions\/18915"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18914"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}