{"id":19100,"date":"2022-12-13T09:54:19","date_gmt":"2022-12-13T11:54:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/?p=19100"},"modified":"2022-12-13T09:54:19","modified_gmt":"2022-12-13T11:54:19","slug":"cao-bravo-ou-que-late-muito-isso-tem-a-ver-com-o-dono-diz-a-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/cao-bravo-ou-que-late-muito-isso-tem-a-ver-com-o-dono-diz-a-ciencia\/","title":{"rendered":"C\u00e3o bravo ou que late muito? Isso tem a ver com o dono, diz a ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div class=\"content-wrapper  \">\n<div id=\"social-media-upper\" class=\"social-media-upper\">\n<div class=\"news-authors hide-on-mobile\">\n<div class=\"authors-info\"><span class=\"authors-names\">Por\u00a0Maria Fernanda Ziegler<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"subheadline-feature-block\">\n<h2>Pesquisadores da USP mapeiam fatores que t\u00eam impacto na forma como o cachorro interage no ambiente<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"content\" class=\"content-wrapper -paywall-parent box\">\n<div class=\"content-wrapper news-body container content template-reportagem already-sliced already-checked\" data-paywall-wrapper=\"true\">\n<p>AG\u00caNCIA FAPESP &#8211;<strong>\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/cachorro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Cachorros<\/strong><\/a>\u00a0que passeiam diariamente com seus donos s\u00e3o menos agressivos. C\u00e3es cujas tutoras s\u00e3o mulheres supostamente latem menos para estranhos. J\u00e1 os caninos mais pesados tendem a ser menos insolentes com seus donos do que os peso-leves. Pugs, buldogues, shih-tzus e outros animais com o focinho encurtado podem ser mais afrontosos com humanos do que os cachorros de focinho m\u00e9dio e longo, como \u00e9 o caso do golden retriever e do popular vira-lata caramelo.<\/p>\n<p>Foi o que mostrou um estudo feito por pesquisadores da<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/usp-universidade-de-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>\u00a0Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)\u00a0<\/strong><\/a>com 665 c\u00e3es de estima\u00e7\u00e3o de diferentes ra\u00e7as, inclusive vira-latas (sem ra\u00e7a definida). Na pesquisa, publicada na revista\u00a0<em>Applied Animal Behaviour Science<\/em>, foram relacionados fatores morfol\u00f3gicos, ambientais e sociais com perfis de agressividade dos c\u00e3es de estima\u00e7\u00e3o. O cruzamento de dados mostrou que n\u00e3o apenas condi\u00e7\u00f5es como peso, altura e tamanho do focinho est\u00e3o associadas a maior ou menor incid\u00eancia de agressividade, como tamb\u00e9m\u00a0<strong>quest\u00f5es relacionadas \u00e0s hist\u00f3rias de vida dos animais e \u00e0s caracter\u00edsticas do tutor<\/strong>.<\/p>\n<p>De acordo com o artigo, os resultados confirmam a hip\u00f3tese de que o comportamento dos cachorros n\u00e3o \u00e9 algo definido apenas pelo aprendizado, nem s\u00f3 pela gen\u00e9tica. Trata-se do efeito de uma intera\u00e7\u00e3o constante com tudo o que cerca a vida do animal. O estudo teve apoio da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/fapesp-fundacao-de-amparo-a-pesquisa-do-estado-de-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Fapesp<\/strong><\/a>\u00a0por meio de um projeto sobre a abordagem etol\u00f3gica da comunica\u00e7\u00e3o social entre diversas esp\u00e9cies, entre elas a humana (leia mais:\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/experiencia-de-vida-molda-a-interacao-de-caes-com-humanos\/37136\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>agencia.fapesp.br\/37136\/<\/strong><\/a>).<\/p>\n<div class=\"link-list-wrapper\">\n<p>\u201cOs resultados ressaltam algo que estamos estudando j\u00e1 h\u00e1 algum tempo: o comportamento emerge da intera\u00e7\u00e3o do animal com o seu contexto, ou seja, o ambiente e o conv\u00edvio com o tutor, por exemplo, al\u00e9m \u00e9 claro da morfologia do cachorro. Todos esses fatores t\u00eam impacto na forma como o cachorro interage com o ambiente e tamb\u00e9m na maneira como a gente interage com ele\u201d, explica Briseida de Resende, professora do Instituto de Psicologia (IP-USP) e coautora do artigo.<\/p>\n<p>No estudo, realizado durante a pandemia de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/coronavirus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>covid-19<\/strong><\/a>, 665 tutores de c\u00e3es responderam a tr\u00eas question\u00e1rios online, que forneciam informa\u00e7\u00f5es sobre caracter\u00edsticas do animal, seu ambiente, tutor e comportamentos agressivos, como latir para estranhos e at\u00e9 atacar. Ao cruzar essas informa\u00e7\u00f5es com o grau de agressividade dos c\u00e3es, os pesquisadores identificaram alguns padr\u00f5es interessantes. Os question\u00e1rios foram desenvolvidos pela pesquisadora do IP-USP Nat\u00e1lia Albuquerque e a professora Carine Savalli, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n<figure class=\"figure-image-wrapper \">\n<div class=\"figure-image-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/3XwwLXp7FpDxdpiFhkGE49LEUwQ=\/936x0\/filters:format(jpg):quality(80)\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/SPGQ4BJCENAFPBJO7SV4ZO2YEY.jpg\" alt=\"G\u00eanero do tutor se mostrou um fator capaz de predizer o comportamento com estranhos, segundo o estudo. \" \/><\/div><figcaption>G\u00eanero do tutor se mostrou um fator capaz de predizer o comportamento com estranhos, segundo o estudo.\u00a0\u00a0Foto:\u00a0Toms Kalnins\/EFE<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"intertitle-wrapper\">\n<div class=\"line-top\"><\/div>\n<h3>G\u00eanero do tutor<\/h3>\n<\/div>\n<p>\u201cApenas o g\u00eanero do tutor se mostrou um fator capaz de predizer o comportamento com estranhos: a aus\u00eancia de agressividade foi uma caracter\u00edstica 73% mais frequente entre os c\u00e3es de mulheres\u201d, afirma Fl\u00e1vio Ayrosa, primeiro autor do artigo.<\/p>\n<p>O sexo do animal tamb\u00e9m parece influenciar o grau de agressividade. \u201cA chance de o animal ser hostil com o dono foi 40% menor em f\u00eameas do que em machos\u201d, diz o autor. \u201cMas foi na compara\u00e7\u00e3o entre tamanho do focinho que encontramos uma diferen\u00e7a mais significativa: as chances de agressividade contra o dono tendem a ser 79% maiores em c\u00e3es braquicef\u00e1licos (<em>focinho achatado<\/em>) do que nos mesocef\u00e1licos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Por outro lado, quanto mais pesado o c\u00e3o, menor era a possibilidade de agressividade contra seu tutor. Ao cruzar os dados, os pesquisadores identificaram que as chances de agressividade diminu\u00edram 3% para cada quilo extra de massa corporal.<\/p>\n<p>Mas Ayrosa ressalta que os achados associados ao perfil do tutor n\u00e3o s\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito. \u201cEncontramos uma rela\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer o que vem primeiro. O fator \u2018passear com os c\u00e3es\u2019, por exemplo: pode ser que as pessoas passeavam menos com os cachorros por eles serem animais agressivos, ou os cachorros podem ter se tornado mais agressivos porque seus tutores n\u00e3o passeavam com eles\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201cCaracter\u00edsticas como peso, altura, morfologia do cr\u00e2nio, sexo e idade influenciam a intera\u00e7\u00e3o entre os c\u00e3es e seu ambiente. Isso pode fazer com que o animal passe mais tempo em casa, por exemplo\u201d, completa.<\/p>\n<p>Historicamente, a agressividade dos c\u00e3es tem sido associada \u00fanica e exclusivamente \u00e0 quest\u00e3o da ra\u00e7a. Tal paradigma come\u00e7ou a mudar nos \u00faltimos dez anos, quando surgiram os primeiros estudos que relacionavam perfis comportamentais com fatores como idade do c\u00e3o, sexo, quest\u00f5es metab\u00f3licas e diferen\u00e7as hormonais. No Brasil, a pesquisa coordenada pelo grupo do IP-USP foi a primeira a avaliar quest\u00f5es morfol\u00f3gicas e comportamentais, entre elas a agressividade, em animais sem ra\u00e7a definida.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 mais recentemente os estudos passaram a investigar a influ\u00eancia de fatores relacionados \u00e0 morfologia, hist\u00f3rias de vida dos animais, caracter\u00edsticas dos tutores, origem (<em>comprado ou adotado<\/em>), como \u00e9 o caso do nosso estudo\u201d, diz Ayrosa.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Relationships among morphological, environmental, social factors and aggressive profiles in Brazilian pet dogs<\/em>\u00a0pode ser lido em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0168159122002246?via=ihub#gs2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0168159122002246?via=ihub#gs2<\/strong><\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Maria Fernanda Ziegler Pesquisadores da USP mapeiam fatores que t\u00eam impacto na forma como o cachorro interage no ambiente AG\u00caNCIA FAPESP &#8211;\u00a0Cachorros\u00a0que passeiam diariamente com seus donos s\u00e3o menos agressivos&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":19101,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":{"0":"post-19100","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-atualidade"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19100","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19100"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19100\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19102,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19100\/revisions\/19102"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19101"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19100"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19100"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19100"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}