{"id":19103,"date":"2022-12-13T10:03:12","date_gmt":"2022-12-13T12:03:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/?p=19103"},"modified":"2022-12-13T10:03:12","modified_gmt":"2022-12-13T12:03:12","slug":"covid-19-no-de-criancas-de-ate-dois-anos-hospitalizadas-este-ano-e-21-maior-do-que-em-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/covid-19-no-de-criancas-de-ate-dois-anos-hospitalizadas-este-ano-e-21-maior-do-que-em-2021\/","title":{"rendered":"Covid-19: N\u00ba de crian\u00e7as de at\u00e9 dois anos hospitalizadas este ano \u00e9 21% maior do que em 2021"},"content":{"rendered":"<div class=\"content-wrapper  \">\n<div id=\"social-media-upper\" class=\"social-media-upper\">\n<div class=\"news-authors hide-on-mobile\">\n<div class=\"authors-info\"><span class=\"authors-names\">Por\u00a0Fabiana Cambricoli e Leon Ferrari<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"subheadline-feature-block\">\n<h2>Levando em conta todas as faixas et\u00e1rias, houve queda de 82% nas interna\u00e7\u00f5es pelo v\u00edrus; alta na faixa et\u00e1ria mais nova exp\u00f5e necessidade de ampliar cobertura vacinal<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"content\" class=\"content-wrapper -paywall-parent box\">\n<div class=\"content-wrapper news-body container content template-reportagem already-sliced already-checked\" data-paywall-wrapper=\"true\">\n<p>O n\u00famero de crian\u00e7as de at\u00e9 2 anos internadas por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/coronavirus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>covid-19<\/strong><\/a>\u00a0no Pa\u00eds em 2022 j\u00e1 superou em 21,3% o total registrado no ano passado, contrariando a tend\u00eancia de queda de hospitaliza\u00e7\u00f5es nos demais grupos populacionais. A faixa et\u00e1ria dos beb\u00eas foi a \u00fanica que ainda n\u00e3o teve acesso integral \u00e0 vacina.<\/p>\n<p>Embora o imunizante da Pfizer tenha sido aprovado pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/anvisa-agencia-nacional-de-vigilancia-sanitaria\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Anvisa<\/strong><\/a>) em setembro para a popula\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/saude\/covid-19-anvisa-aprova-vacina-da-pfizer-para-criancas-entre-6-meses-e-4-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>a partir de 6 meses de idade<\/strong><\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/tudo-sobre\/ministerio-da-saude\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/strong><\/a>\u00a0s\u00f3 liberou o uso do produto dois meses depois e restrito a crian\u00e7as com comorbidades, decis\u00e3o criticada por especialistas e sociedades m\u00e9dicas. Entre as comorbidades, est\u00e3o diabete, hipertens\u00e3o etc.<\/p>\n<p>De janeiro at\u00e9 o in\u00edcio de dezembro, 11.144 beb\u00eas foram hospitalizados com covid, segundo dados do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o da Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica da Gripe (Sivep-Gripe), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, tabulados pelo\u00a0<strong>Estad\u00e3o<\/strong>. Em todo o ano passado, foram 9.181 registros. J\u00e1 o total de hospitaliza\u00e7\u00f5es no Pa\u00eds, se considerados todos os grupos et\u00e1rios, caiu 82,6% &#8211; de 1,2 milh\u00e3o em 2021 para 211,5 mil este ano.<\/p>\n<p>O porcentual de interna\u00e7\u00f5es na faixa do zero aos 2 anos, embora ainda seja minorit\u00e1rio, vem crescendo. Nos dois primeiros anos da pandemia, as hospitaliza\u00e7\u00f5es de beb\u00eas por covid representaram menos de 1% do total. Neste ano, j\u00e1 superam os 5%.<\/p>\n<p>As faixas et\u00e1rias de zero a 2 anos e de 3 a 4 anos foram as \u00fanicas que tiveram aumento de hospitaliza\u00e7\u00f5es no per\u00edodo analisado. No segundo grupo, a alta foi de 13,2%. Do total de crian\u00e7as de 2 anos ou menos hospitalizadas pela doen\u00e7a, s\u00f3 18,6% tinham algum fator de risco registrado no sistema do minist\u00e9rio, o que refor\u00e7a a necessidade de imuniza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para crian\u00e7as sem comorbidades.<\/p>\n<div class=\"uva-container \">\n<figure class=\"figure-image-wrapper -graphic\">\n<div class=\"figure-image-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/URULHTVTFNHIHC2XI52XSX4JUQ.png\" \/><\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<p>Especialistas destacam que o aumento nas interna\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as \u00e9 reflexo do alto volume de casos em 2022, puxado principalmente pela variante\u00a0<strong>\u00d4micron<\/strong>\u00a0no in\u00edcio do ano, mas tamb\u00e9m da baixa taxa de vacina\u00e7\u00e3o infantil, visto que, nas demais faixas et\u00e1rias, houve queda nas hospitaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cTivemos um \u2018boom\u2019 de casos pela \u00d4micron e picos muito mais elevados do que pelas outras variantes. Proporcionalmente, vemos mais crian\u00e7as, que, ao contr\u00e1rio dos adultos, n\u00e3o est\u00e3o protegidas por vacina, doentes e internadas. Ao passo que nos adultos, apesar do aumento importante de casos, n\u00e3o tivemos esse aumento de interna\u00e7\u00f5es, por conta da vacina\u00e7\u00e3o\u201d, resume Marcelo Otsuka, infectologista e vice-presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade de Pediatria de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cAs crian\u00e7as estiveram alijadas desse processo de imuniza\u00e7\u00e3o no in\u00edcio e, mesmo agora, quando teoricamente poder\u00edamos expandir o benef\u00edcio \u00e0s crian\u00e7as, as coberturas est\u00e3o muito aqu\u00e9m\u201d, complementa Marco Aur\u00e9lio S\u00e1fadi, presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. S\u00f3 37,18% dos pequenos de 3 a 11 anos est\u00e3o totalmente imunizados (ciclo prim\u00e1rio, de duas doses). Na popula\u00e7\u00e3o com 12 anos ou mais, por outro lado, a taxa \u00e9 de 80,18%.<\/p>\n<figure class=\"figure-image-wrapper \">\n<div class=\"figure-image-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/TWICrsXTFAteU0bVqxfhQKvDb20=\/936x0\/filters:format(jpg):quality(80)\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/EXZRNNNYJBC3RDWQ33WIBMTXZQ.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as de 5 a 11 anos come\u00e7aram a receber o imunizante contra a covid-19 em janeiro de 2022.\" \/><\/div><figcaption>Crian\u00e7as de 5 a 11 anos come\u00e7aram a receber o imunizante contra a covid-19 em janeiro de 2022. Foto: Daniel Teixeira\/Estad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"intertitle-wrapper\">\n<h3>Causas<\/h3>\n<\/div>\n<p>Para os m\u00e9dicos, h\u00e1 algumas explica\u00e7\u00f5es para a baixa taxa de vacina\u00e7\u00e3o infantil. Al\u00e9m da campanha ter come\u00e7ado depois dos adultos (crian\u00e7as de 5 a 11 anos s\u00f3 come\u00e7aram a receber imunizante em janeiro; os pequenos a partir de 3 anos s\u00f3 no segundo semestre), h\u00e1 hesita\u00e7\u00e3o vacinal dos pais causada por uma onda de desinforma\u00e7\u00e3o, que questiona \u2013 sem evid\u00eancias cient\u00edficas \u2013 a seguran\u00e7a das inje\u00e7\u00f5es pedi\u00e1tricas e que criou um senso comum de que a covid n\u00e3o era grave para os pequenos.<\/p>\n<p>Outros empecilhos s\u00e3o problemas na oferta desigual de imunizante (<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/saude\/uma-em-cada-cinco-cidades-relata-falta-de-vacina-de-covid-19-para-criancas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>uma em cada cinco cidades brasileiras relatou falta de doses para vacinar crian\u00e7as<\/strong><\/a>) e alguns posicionamentos do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, avaliam eles.<\/p>\n<p>S\u00e1fadi acrescenta que, no caso dos beb\u00eas, principalmente daqueles com menos de um ano, a \u201cimaturidade imunol\u00f3gica\u201d e \u201ccaracter\u00edsticas do trato respirat\u00f3rio\u201d tamb\u00e9m ajudam a entender a necessidade de hospitaliza\u00e7\u00e3o. \u201cEsse cen\u00e1rio de maior gravidade no beb\u00ea do que nos demais grupos et\u00e1rios a gente j\u00e1 observou em diversas outras doen\u00e7as respirat\u00f3rias infecciosas\u201d, diz.<\/p>\n<p>O aumento explosivo de infec\u00e7\u00f5es n\u00e3o pode ser atribu\u00eddo apenas a maior transmissibilidade e escape imune da \u00d4micron e suas subvariantes, segundo o infectologista Francisco de Oliveira Junior, gerente-m\u00e9dico do Hospital Infantil Sabar\u00e1. Tamb\u00e9m tem rela\u00e7\u00e3o com o relaxamento de medidas n\u00e3o farmacol\u00f3gicas, como uso de m\u00e1scara e distanciamento, conforme diminu\u00eda a percep\u00e7\u00e3o de risco da popula\u00e7\u00e3o, o que aumentou a exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus.<\/p>\n<p>O hospital paulistano tamb\u00e9m viu crescimento de interna\u00e7\u00f5es de crian\u00e7as por covid este ano. Em 2020, foram registradas 73 hospitaliza\u00e7\u00f5es de pessoas de zero at\u00e9 17 anos. No ano passado, foram 112 hospitalizados; e, em 2022, 346.<\/p>\n<div class=\"intertitle-wrapper\">\n<h3>Sequelas<\/h3>\n<\/div>\n<p>J\u00e1 os \u00f3bitos de beb\u00eas por covid ca\u00edram 25% entre 2021 e 2022 (considerando os dados preliminares at\u00e9 o in\u00edcio de dezembro). O n\u00famero de 2022 ainda deve crescer porque o ano n\u00e3o acabou e os dados das \u00faltimas semanas passam por atualiza\u00e7\u00f5es por causa do atraso no preenchimento de alguns registros. A taxa de queda de \u00f3bitos observada at\u00e9 agora entre beb\u00eas \u00e9 menor do que a geral (85,2%).<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o na letalidade (chance de morrer) tem, possivelmente, a ver com as caracter\u00edsticas das variantes que predominaram este ano. \u201cO mais prov\u00e1vel, quando se avalia a hist\u00f3ria natural das epidemias e pandemias, \u00e9 que, ao longo do tempo, o v\u00edrus fique menos letal, at\u00e9 porque, se tem menos letalidade, tem capacidade de infectar mais gente\u201d, diz o infectologista Francisco de Oliveira J\u00fanior.<\/p>\n<p>No entanto, os especialistas destacam que a carga da doen\u00e7a segue relevante em crian\u00e7as \u2013 o que, para eles, fica provado no alto volume de interna\u00e7\u00f5es \u2013 e alertam para os riscos mesmo para quem sobrevive, seja pela persist\u00eancia de sintomas ap\u00f3s a fase aguda da doen\u00e7a (covid longa) ou pela s\u00edndrome inflamat\u00f3ria multissist\u00eamica (SIM-P).<\/p>\n<p>\u201cA infec\u00e7\u00e3o nas crian\u00e7as \u00e9 muito menos grave que no adulto, (<em>mas<\/em>) n\u00e3o significa que a doen\u00e7a n\u00e3o seja grave em crian\u00e7as\u201d, frisa o infectologista Marcelo Otsuka. Segundo ele, a covid \u00e9 a \u201cprincipal causa infecciosa de \u00f3bito em crian\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Para crian\u00e7as e adolescentes, a infec\u00e7\u00e3o traz um risco a mais: a s\u00edndrome inflamat\u00f3ria multissist\u00eamica. Embora os casos sejam raros, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade alerta que, na maior parte das vezes, \u201c\u00e9 um quadro grave, que requer hospitaliza\u00e7\u00e3o\u201d e, algumas vezes, \u201cpode ter desfecho fatal\u201d. Na pandemia, foram confirmados 1.940 casos de SIM-P associado \u00e0 covid, com 133 \u00f3bitos.<\/p>\n<p>A s\u00edndrome \u00e9 uma resposta inflamat\u00f3ria tardia e exacerbada, que ocorre ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o \u2013 em geral, dias ou semanas ap\u00f3s a covid. Os sintomas podem incluir febre persistente, sintomas gastrointestinais, conjuntivite bilateral n\u00e3o purulenta,<\/p>\n<p>E h\u00e1 ainda perigos da covid longa. \u201cCom persist\u00eancia de sintomas respirat\u00f3rios por tempo prolongado; altera\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas, como de humor, depress\u00e3o, ansiedade; altera\u00e7\u00e3o de sono; cognitivas tamb\u00e9m, como dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e perda de mem\u00f3ria\u201d, diz Oliveira J\u00fanior.<\/p>\n<div class=\"intertitle-wrapper\">\n<h3>No hospital<\/h3>\n<\/div>\n<p>Para al\u00e9m dos n\u00fameros, pais relatam o drama de ver os filhos internados e o medo de perd\u00ea-los, bem como a \u00e2nsia de vacin\u00e1-los. A vis\u00e3o do filho, Enrico, de apenas 2 meses, sendo transportado do pronto-socorro do Hospital Pequeno Pr\u00edncipe, em Curitiba, em uma maca, coberto por uma esp\u00e9cie de caixa de pl\u00e1stico (para evitar contaminar outros pacientes), nunca vai sair da cabe\u00e7a da auxiliar de cozinha Ariane Silva, de 30 anos. \u201cN\u00e3o tem cena pior. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 horr\u00edvel\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Com exame positivo para covid, uma febre persistente e secre\u00e7\u00e3o no pulm\u00e3o detectada por raio x, o pequeno teve de ficar internado da noite de sexta-feira, 3, at\u00e9 a quarta, 6. A m\u00e3e conta que ele n\u00e3o precisou de oxig\u00eanio e a equipe m\u00e9dica conseguiu controlar a febre com soro e analg\u00e9sico. Agora, fora do hospital, al\u00e9m de aten\u00e7\u00e3o redobrada para identificar qualquer sinal de sequela, Ariane conta os dias para poder imunizar o filho. \u201cSe tivesse vacina amanh\u00e3, eu iria hoje.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPensei que estava perdendo a minha filha\u201d, lembra a gerente de loja Elem Dhuly, 24 anos, de Aragua\u00edna (TO), sobre o momento em que percebeu que Lauryellem, de 8 meses, n\u00e3o conseguia dormir e, por alguns momentos, parava de respirar. Ela correu para o hospital na madrugada da quarta, onde a beb\u00ea continua internada, mas com quadro est\u00e1vel e, agora, desconectada do oxig\u00eanio.<\/p>\n<figure class=\"figure-image-wrapper \">\n<div class=\"figure-image-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/JtfOq3oBzjamFTro04-UC_n-5d4=\/936x0\/filters:format(jpg):quality(80)\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/6BA6PBPEAFCMLE6GMXY4N4XONQ.jpg\" alt=\"A sa\u00edda de Manu do hospital foi uma &quot;alegria imensa&quot; para os pais, mas tamb\u00e9m marcada por preocupa\u00e7\u00f5es de poss\u00edveis sequela e do aparecimento da s\u00edndrome inflamat\u00f3ria multissist\u00eamica\" \/><\/div><figcaption>A sa\u00edda de Manu do hospital foi uma &#8220;alegria imensa&#8221; para os pais, mas tamb\u00e9m marcada por preocupa\u00e7\u00f5es de poss\u00edveis sequela e do aparecimento da s\u00edndrome inflamat\u00f3ria multissist\u00eamica\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n<p>De Goi\u00e2nia, o empres\u00e1rio Daniel Almeida, de 35 anos, tamb\u00e9m pensou que n\u00e3o teria a filha, Manuela, de 3 anos, de volta, quando, em fevereiro, um exame mostrou grande comprometimento pulmonar, ap\u00f3s o teste positivo. \u201c(<em>Quando vi o exame<\/em>) Veio na mente a minha av\u00f3, um monte de gente morrendo. S\u00f3 veio coisa ruim\u201d, conta. A av\u00f3 dele, que tinha mais de 80 anos, morreu de covid ainda em 2020, na primeira onda da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Em casa, os pais j\u00e1 haviam percebido que a pequena \u2013 que, segundo Almeida, tem \u201cpredisposi\u00e7\u00e3o para doen\u00e7as pulmonares\u201d, com crises de bronquite e pneumonia pr\u00e9vias \u2013 estava \u201cprostrada\u201d e \u201cs\u00f3 queria dormir\u201d. Manu precisou ficar quatro dias internada no hospital.<\/p>\n<p>Almeida lembra da \u201calegria imensa\u201d de quando ela recebeu alta. A sa\u00edda do hospital foi marcada por recep\u00e7\u00e3o calorosa da fam\u00edlia. Um v\u00eddeo da pequena correndo, emocionada, para abra\u00e7ar a prima Aurora, tamb\u00e9m de 3 anos, viralizou nas redes sociais.<\/p>\n<div class=\"embed-wrapper\">\n<div class=\"embed-container\">\n<div class=\"embed-container\"><iframe id=\"instagram-embed-0\" class=\"instagram-media instagram-media-rendered\" src=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/CZ7ETKVg5Sw\/embed\/captioned\/?cr=1&amp;v=14&amp;wp=658&amp;rd=https%3A%2F%2Fwww.estadao.com.br&amp;rp=%2Fsaude%2Fcovid-19-crianca-internacao-vacinacao%2F#%7B%22ci%22%3A0%2C%22os%22%3A2041.5999999046326%7D\" height=\"1673\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-instgrm-payload-id=\"instagram-media-payload-0\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>T\u00ea-la de volta em casa trouxe um misto de sentimentos. A felicidade, de v\u00ea-la melhorar cada dia mais, e o medo de sequelas e de que ela desenvolvesse a s\u00edndrome inflamat\u00f3ria multissist\u00eamica. Eles seguiram aferindo a oxigena\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com frequ\u00eancia e de olho em qualquer sinal que indicasse piora \u2013 o que, felizmente, n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<p>Embora tenha mostrado, conforme Almeida, \u201cmaturidade\u201d surpreendente para a idade durante o per\u00edodo no hospital, Manu guarda cicatrizes emocionais do per\u00edodo internada. \u201cFoi muito traumatizante para ela\u201d, conta. \u201cQuando saiu do hospital, ela falou assim: \u2018Papai, nunca mais quero pegar covid, ficar no hospital, n\u00e3o quero ficar sozinha\u2019.\u201d<\/p>\n<figure class=\"figure-image-wrapper \">\n<div class=\"figure-image-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/resizer\/yemGZ8MfHYiM3UUlCwwmQOauX1M=\/936x0\/filters:format(jpg):quality(80)\/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com\/estadao\/JJGJG5WVZJHMPEQNNGX7JQX7UA.jpg\" alt=\"Ativa e comunicativa, quando teve covid, Manu s\u00f3 queria dormir.\" \/><\/div><figcaption>Ativa e comunicativa, quando teve covid, Manu s\u00f3 queria dormir.\u00a0Foto:\u00a0Wildes Barbosa\/Estad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Almeida acredita que, se a pequena tivesse sido vacinada, a ang\u00fastia teria sido evitada. A Coronavac s\u00f3 foi liberada para a faixa et\u00e1ria dos 3 aos 5 anos em julho. Manu ainda n\u00e3o recebeu o imunizante, pois contraiu covid mais duas vezes, em julho e novembro \u2013 ambas infec\u00e7\u00f5es leves e com poucos sintomas \u2013, e as m\u00e9dicas orientaram que ela esperasse um m\u00eas da infec\u00e7\u00e3o para receber imunizante.<\/p>\n<p>O pai, que j\u00e1 tem tr\u00eas doses, n\u00e3o v\u00ea a hora de que ela seja vacinada. \u201cA gente queria at\u00e9 ir para os Estados Unidos vacin\u00e1-la, quando a vacina da Pfizer foi liberada (<em>em junho<\/em>)\u201d, lembra. \u201cEu n\u00e3o queria passar pelo que passei. Quero blindar minha filha o m\u00e1ximo que puder.\u201d<\/p>\n<div class=\"intertitle-wrapper\">\n<h3>O que fazer?<\/h3>\n<\/div>\n<p>Os especialistas destacam que o Pa\u00eds precisa ampliar urgentemente a cobertura vacinal das crian\u00e7as. \u201c(<em>Sem isso<\/em>) A tend\u00eancia \u00e9 de que, com novas variantes, tenhamos mais casos de infec\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus e, consequentemente, a propor\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as infectadas, tendo quadros graves ou at\u00e9 morte, aumentar\u00e1\u201d, alerta Otsuka.<\/p>\n<p>S\u00e1fadi atesta o perfil de seguran\u00e7a e efic\u00e1cia dos imunizantes aprovados pela Anvisa. Segundo o infectologista, a vacina reduz n\u00e3o s\u00f3 a chance de hospitaliza\u00e7\u00e3o e morte, mas tamb\u00e9m de desenvolver a rara s\u00edndrome inflamat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de liberar a vacina Pfizer Baby (destinada a beb\u00eas a partir de 6 meses) para crian\u00e7as sem comorbidade, os especialistas defendem que haja mais esfor\u00e7o de divulga\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da vacina\u00e7\u00e3o, para combater a onda de desinforma\u00e7\u00e3o, e busca ativa. Eles tamb\u00e9m avaliam que a imuniza\u00e7\u00e3o poderia ocorrer em hor\u00e1rios mais \u201cflex\u00edveis\u201d e \u201camig\u00e1veis\u201d, considerando que \u00e9 preciso que os pais ou respons\u00e1veis acompanhem os pequenos nas unidades de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cNos pa\u00edses que conseguem atingir grau de vacina\u00e7\u00e3o adequado, a vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 feita na escola\u201d, afirma Otsuka. \u201cNo Brasil, no passado, isso j\u00e1 aconteceu. Temos (<em>hoje<\/em>) uma conduta muito passiva para est\u00edmulo da vacina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. E isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o ao coronav\u00edrus, s\u00e3o diversas infec\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Francisco de Oliveira acrescenta que a popula\u00e7\u00e3o precisa entender que a pandemia n\u00e3o acabou e que vamos, por algum tempo, conviver com ela. \u201cTer\u00e3o outras ondas. Alguns epidemiologistas acham que essa flutua\u00e7\u00e3o de ter novas ondas a cada tr\u00eas, quatro meses \u00e9 o que vai acontecer, mas por enquanto carece de tempo de observa\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>Dentro desses per\u00edodos de maior circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, destaca, ser\u00e1 preciso adotar outras medidas, como uso de m\u00e1scara. \u201cPrincipalmente quando a gente olha para popula\u00e7\u00f5es de mais alto risco. Pessoas que t\u00eam comorbidades, idosos e n\u00e3o vacinados.\u201d<\/p>\n<p>S\u00e1fadi defende tamb\u00e9m ser preciso combater desigualdades com refor\u00e7o do SUS, com foco em sa\u00fade preventiva, da fam\u00edlia e aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Ele destaca que as letalidades da covid e da s\u00edndrome inflamat\u00f3ria multissist\u00eamica s\u00e3o mais do que oito vezes maiores no Brasil do que nos Estados Unidos, por exemplo. \u201cA raz\u00e3o disso est\u00e1 enraizada no fato de sermos um pa\u00eds cheio de iniquidade e de acesso restrito das crian\u00e7as ao hospital, que chegam tarde, chegam menos e s\u00e3o tratadas de forma diferente das de l\u00e1.\u201d<\/p>\n<div class=\"intertitle-wrapper\">\n<h3>Percal\u00e7os na vacina\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<p>Embora os m\u00e9dicos destaquem que a vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 o principal caminho para evitar desfechos graves da covid em crian\u00e7as, a imuniza\u00e7\u00e3o dos mais novos no Brasil foi marcada por uma s\u00e9rie de percal\u00e7os e atrasos.<\/p>\n<p>Em dezembro do ano passado, mesmo com a aprova\u00e7\u00e3o da Anvisa, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade abriu consulta p\u00fablica antes de decidir pela inclus\u00e3o da vacina Pfizer para crian\u00e7as de 5 at\u00e9 11 anos no Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es. Os mais novos, de 3 a 4 anos, s\u00f3 se tornaram eleg\u00edveis em julho, quando, ap\u00f3s diversos reveses, a Coronavac recebeu sinal positivo da ag\u00eancia reguladora.<\/p>\n<p>Mas, ao longo do ano, houve dificuldade na oferta. No fim de novembro, conforme levantamento da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Munic\u00edpios (CNM), uma em cada cinco cidades relataram falta de doses para crian\u00e7as.<\/p>\n<p>H\u00e1 quase tr\u00eas meses, a Anvisa liberou a Pfizer Baby \u2013 aplicada nos EUA desde junho \u2013 para beb\u00eas a partir de 6 meses. A imuniza\u00e7\u00e3o, no entanto, s\u00f3 come\u00e7ou ao fim da primeira quinzena de novembro, em meio a reclama\u00e7\u00f5es dos Estados de atraso do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em distribuir doses.<\/p>\n<p>A pasta tamb\u00e9m s\u00f3 recomendou, em nota t\u00e9cnica, usar a vacina em crian\u00e7as at\u00e9 tr\u00eas anos incompletos com comorbidades. Marcelo Otsuka fala em postura \u201cinadequada\u201d do minist\u00e9rio, que, na avalia\u00e7\u00e3o dele, tamb\u00e9m \u00e9 causa da baixa cobertura vacinal.<\/p>\n<p>\u201cNo passado, quando t\u00ednhamos morte por meningite, ningu\u00e9m fez consulta p\u00fablica para que a vacina contra o meningococo fosse institu\u00edda. Quando tivemos morte pelo sarampo, ningu\u00e9m fez pesquisa p\u00fablica para vacina\u00e7\u00e3o. O agravo da covid, por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 o suficiente para que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade determine a realiza\u00e7\u00e3o da vacina sem sequer consultas p\u00fablicas\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Ao\u00a0<strong>Estad\u00e3o<\/strong>, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou que \u201cacompanha atentamente o cen\u00e1rio epidemiol\u00f3gico da covid-19 no Pa\u00eds e o andamento da campanha de vacina\u00e7\u00e3o entre todas as faixas et\u00e1rias\u201d. A pasta diz ter entregue, entre novembro e dezembro, mais de 2 milh\u00f5es de doses de vacinas para o p\u00fablico infantil a todos os Estados e munic\u00edpios. \u201cCabe destacar que as doses s\u00e3o enviadas de acordo com a solicita\u00e7\u00e3o de cada Estado e o ritmo de vacina\u00e7\u00e3o desta faixa et\u00e1ria\u201d, afirmou, em nota.<\/p>\n<p>Sobre a libera\u00e7\u00e3o da Pfizer Baby, apenas disse que, \u201ccom o fim da Emerg\u00eancia em Sa\u00fade P\u00fablica de Import\u00e2ncia Nacional (Espin), a amplia\u00e7\u00e3o das doses para as crian\u00e7as de 6 meses a menores de 3 anos sem comorbidades passou a ser avaliada de forma priorit\u00e1ria pela Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias no SUS (Conitec)\u201d.<\/p>\n<div class=\"\"><\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"newsletter-container\">\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Fabiana Cambricoli e Leon Ferrari Levando em conta todas as faixas et\u00e1rias, houve queda de 82% nas interna\u00e7\u00f5es pelo v\u00edrus; alta na faixa et\u00e1ria mais nova exp\u00f5e necessidade de ampliar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":19104,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":{"0":"post-19103","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-atualidade"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19103","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19103"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19103\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19105,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19103\/revisions\/19105"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19104"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}