{"id":19288,"date":"2023-02-06T15:44:36","date_gmt":"2023-02-06T17:44:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/?p=19288"},"modified":"2023-02-06T15:44:36","modified_gmt":"2023-02-06T17:44:36","slug":"por-que-a-inflacao-deve-perdurar-no-brasil-e-no-mundo-por-longo-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/por-que-a-inflacao-deve-perdurar-no-brasil-e-no-mundo-por-longo-tempo\/","title":{"rendered":"Por que a infla\u00e7\u00e3o deve perdurar no Brasil e no mundo por longo tempo?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/inflacao.jpeg\" rel=\"prettyPhoto[gallery-ss0R]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19290\" src=\"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/inflacao.jpeg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"595\" srcset=\"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/inflacao.jpeg 960w, https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/inflacao-300x186.jpeg 300w, https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/inflacao-768x476.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o \u00e9 uma for\u00e7a capaz de causar mudan\u00e7as profundas e que recebe especial aten\u00e7\u00e3o dos economistas por sua complexidade. O pr\u00f3cer do liberalismo moderno, Milton Friedman (1912-2006), costumava compar\u00e1-la a um veneno que se espalha lenta e gradualmente, contaminando negativamente a economia. O brit\u00e2nico John Maynard Keynes (1883-1946), por sua vez, usava a imagem de uma bola de neve, que come\u00e7a pequena, mas rapidamente se torna uma avalanche de problemas. Combater o problema n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, pois o oposto da infla\u00e7\u00e3o, a chamada defla\u00e7\u00e3o, pode acarretar baixo crescimento e estagna\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica. N\u00e3o \u00e0 toa, autoridades monet\u00e1rias dos quatro cantos do globo e especialistas se dedicam a esmiu\u00e7ar de forma incans\u00e1vel suas din\u00e2micas em busca de mecanismos de controle que permitam ajustes refinados e multifatoriais. Tal esfor\u00e7o mostrou-se frut\u00edfero, dada a estabilidade que os pa\u00edses mais ricos alcan\u00e7aram nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Isso at\u00e9 a eclos\u00e3o da pandemia de Covid-19, em 2020. Os lockdowns espalhados pelo planeta e o tranco da retomada que se seguiu provocaram um desarranjo na economia que os especialistas definem como choque de oferta, quando o desequil\u00edbrio entre a capacidade de produ\u00e7\u00e3o e a demanda catapulta os pre\u00e7os de bens, produtos e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse tamanho baque, a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia, h\u00e1 um ano, abalou com for\u00e7a a economia global principalmente no que diz respeito ao fornecimento de combust\u00edveis, energia e commodities agr\u00edcolas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Captura-de-Tela-2023-02-06-a\u0300s-14.41.40.png\" rel=\"prettyPhoto[gallery-ss0R]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19289\" src=\"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Captura-de-Tela-2023-02-06-a\u0300s-14.41.40.png\" alt=\"\" width=\"646\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Captura-de-Tela-2023-02-06-a\u0300s-14.41.40.png 646w, https:\/\/www.colorado.com.br\/nosdacolorado\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Captura-de-Tela-2023-02-06-a\u0300s-14.41.40-300x223.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 646px) 100vw, 646px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Como resultado, a zona do euro alcan\u00e7ou a maior infla\u00e7\u00e3o da sua hist\u00f3ria, com uma alta de 10,62% no acumulado de doze meses at\u00e9 outubro do ano passado, e os Estados Unidos enfrentaram uma alta persistente de 6,4% em 2022, capaz de atrapalhar os planos pol\u00edticos do presidente Joe Biden. J\u00e1 o Brasil atingiu um preocupante \u00edndice de 10,06% em 2021, enquanto no ano passado o IPCA ficou em 5,79%, ainda acima da meta estipulada de 3,5% pelo BC. Em escala global, estima-se que o \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o seguir\u00e1 no patamar de 5%, nos pa\u00edses desenvolvidos, mais que o dobro do registrado nos \u00faltimos anos. Mais do que um desarranjo epis\u00f3dico, o fen\u00f4meno j\u00e1 \u00e9 encarado por economistas, empres\u00e1rios e financistas como uma realidade que deve perdurar por um prazo ainda indefinido.<\/p>\n<p>Como efeito sintom\u00e1tico dessa preocupa\u00e7\u00e3o, os bancos centrais sinalizam claramente que v\u00e3o seguir com os juros em alta, a principal ferramenta para manter o drag\u00e3o inflacion\u00e1rio sob algum controle. Na quarta-feira, o Federal Reserve, banco central americano, divulgou a decis\u00e3o de elevar os juros em 0,25 ponto porcentual, para 4,75%, e que continuar\u00e1 o aperto at\u00e9 atingir o seu objetivo de 2% de infla\u00e7\u00e3o (em dezembro, o \u00edndice bateu em 6,45%, considerando-se os doze meses anteriores). No dia seguinte, o Banco da Inglaterra elevou a taxa no pa\u00eds para 4%, a maior desde a crise global de 2008. No Brasil, o BC manteve, no dia 1\u00ba, a Selic em 13,75%, e indicou que a taxa permanecer\u00e1 nesse patamar elevado por mais um bom per\u00edodo, devido \u00e0 conjuntura \u201cparticularmente incerta no \u00e2mbito fiscal\u201d e a \u201cuma maior persist\u00eancia das press\u00f5es inflacion\u00e1rias globais\u201d. Os efeitos desse aperto em escala mundial j\u00e1 s\u00e3o percept\u00edveis e a infla\u00e7\u00e3o deve ceder um tanto. Mas muitos especialistas apontam que o cen\u00e1rio global est\u00e1 longe de ser est\u00e1vel, o que torna o combate mais penoso do que foi no passado.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos e a Europa, assustados com o tamanho da depend\u00eancia \u00e0 qual est\u00e3o expostos frente a rivais do porte da China e da R\u00fassia, pretendem voltar a fabricar produtos e gerar energia em seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio (ou em vizinhos mais confi\u00e1veis). Trata-se de uma revers\u00e3o do processo de globaliza\u00e7\u00e3o das \u00faltimas d\u00e9cadas, que faz a quest\u00e3o do custo tornar-se secund\u00e1ria, principalmente no que diz respeito ao emprego de um contingente de m\u00e3o de obra com remunera\u00e7\u00e3o mais elevada. \u201cA rivalidade estrat\u00e9gica entre Estados Unidos e China e a guerra R\u00fassia-Ucr\u00e2nia est\u00e3o reconfigurando as cadeias de suprimentos. Mas, ao mesmo tempo que cria oportunidades para outras economias emergentes, esse processo de realinhamento resulta em investimentos redundantes e custos bem mais altos\u201d, diz Sara Johnson, diretora-executiva de pesquisa econ\u00f4mica da S&amp;P Global Market Intelligence.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 complexa din\u00e2mica que engendra a infla\u00e7\u00e3o nas economias, ainda t\u00eam grande potencial de impacto fatores como o processo de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica para fontes mais limpas de energia. A substitui\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo tem exigido pesados investimentos que s\u00f3 ser\u00e3o recompensados em cerca de uma d\u00e9cada, \u00e0 medida que antigas refinarias come\u00e7arem a diminuir de relev\u00e2ncia frente \u00e0s imensas instala\u00e7\u00f5es para a gera\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica ou solar. Da mesma forma, o impacto ambiental da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica conjugado \u00e0s incontest\u00e1veis altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que acontecem pelo planeta consiste em uma amea\u00e7a \u00e0 produtividade da agricultura e da pecu\u00e1ria e podem ocasionar escassez. Secas, chuvas excessivas e desequil\u00edbrios de temperatura prometem causar, em longo prazo, eleva\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os das commodities.<\/p>\n<p>Em janeiro, no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, em Davos, na Su\u00ed\u00e7a, o executivo alem\u00e3o Christian Ulbrich, CEO do grupo imobili\u00e1rio internacional JLL, delineou a nova realidade que ele e seus pares preveem para o mundo dos neg\u00f3cios. \u201cA infla\u00e7\u00e3o veio para ficar e isso ter\u00e1 impacto severo em nossa realidade, em que seremos obrigados a lidar com \u00edndices bem mais elevados que os do passado recente\u201d, disse. Alguns respeitados economistas seguem na mesma linha de racioc\u00ednio. Olivier Blanchard, ex-economista-chefe do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), defende a ideia de que os pa\u00edses ricos adotem uma nova meta de infla\u00e7\u00e3o na casa dos 3% e ressalta que o atual processo de estabiliza\u00e7\u00e3o da economia pode ser mais dif\u00edcil do que se imagina. \u201cA quest\u00e3o \u00e9 at\u00e9 que ponto as \u00faltimas d\u00e9cadas, caracterizadas por uma infla\u00e7\u00e3o est\u00e1vel e que n\u00e3o tiveram nada parecido com a epidemia de Covid-19 ou a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, s\u00e3o par\u00e2metros confi\u00e1veis para o futuro. H\u00e1 boas raz\u00f5es para duvidar\u201d, escreveu em artigo publicado no Instituto Peterson para Economia Internacional.<\/p>\n<p>No Brasil, que j\u00e1 conviveu com a hiperinfla\u00e7\u00e3o mas experimentava uma confort\u00e1vel baixa nos \u00edndices nos \u00faltimos anos, a recidiva do velho drag\u00e3o \u00e9 motivo de severa preocupa\u00e7\u00e3o. Se por um lado a pol\u00edtica de m\u00e3o de ferro de juros altos exercida pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, conseguiu controlar o pior momento, em 2021, quando o \u00edndice ficou em 10,06%, o atual governo come\u00e7a a pressionar por mudan\u00e7as. Em seu primeiro m\u00eas de mandato, o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva vem tecendo cr\u00edticas \u00e0 taxa elevada, que em sua vis\u00e3o prejudica a evolu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica. As reclama\u00e7\u00f5es encontraram eco em declara\u00e7\u00f5es recentes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do vice-\u00adpresidente da Rep\u00fablica e ministro do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (Mdic), Geraldo Alckmin. Al\u00e9m disso, Lula passou a palpitar tamb\u00e9m a respeito das metas de infla\u00e7\u00e3o estabelecidas pelo Banco Central, que cair\u00e1 para 3% em 2024 e 2025, patamar bem inferior que o alvo das gest\u00f5es petistas anteriores. A meta \u00e9 definida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), colegiado que dever\u00e1 se reunir em junho para definir a meta de infla\u00e7\u00e3o de 2026. Muitos acreditam que a reuni\u00e3o, da qual participar\u00e3o Haddad, Campos e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, poder\u00e1 revisar para baixo o \u00edndice j\u00e1 estabelecido para o pr\u00f3ximo ano. O governo diz que, por enquanto, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma discuss\u00e3o t\u00e9cnica para uma altera\u00e7\u00e3o, a qual seria malvista pelo mercado, por passar a mensagem de que o governo n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o interessado em ajudar o BC a controlar a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ideia de o governo pedir a flexibiliza\u00e7\u00e3o das metas depois de estabelecidas n\u00e3o agrada a uma grande ala de economistas, e n\u00e3o apenas por mudar os par\u00e2metros com a batalha ainda em andamento, mas tamb\u00e9m por sinalizar um interesse do Poder Executivo de intervir no BC, entidade que conquistou sua autonomia que a blinda de interfer\u00eancias pol\u00edticas h\u00e1 apenas dois anos. Discuss\u00f5es de mudan\u00e7as de metas devem ser tratadas em car\u00e1ter mais t\u00e9cnico poss\u00edvel. Afinal, quando pol\u00edticos entram na conversa, o efeito costuma ser o reverso do desejado. Na \u00faltima segunda-feira, 30, depois das declara\u00e7\u00f5es de Lula sobre juros e infla\u00e7\u00e3o, as proje\u00e7\u00f5es de mercado passaram a apontar para um \u00edndice de 5,74% para este ano, uma alta de 0,26 ponto frente \u00e0 da semana anterior e de 0,43 ponto em rela\u00e7\u00e3o a dezembro \u2014 isso com uma meta prevista de 3,25%. \u00c9 um sinal evidente da fragilidade brasileira em um mundo onde os efeitos sombrios da nova onda inflacion\u00e1ria devem demorar para se dissipar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A infla\u00e7\u00e3o \u00e9 uma for\u00e7a capaz de causar mudan\u00e7as profundas e que recebe especial aten\u00e7\u00e3o dos economistas por sua complexidade. 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